* Do tempo realizado e do tempo sonhado *

12 de jun. de 2014

Para todos os enamorados

A DISCIPLINA DO AMOR

Estranho, sim. As pessoas ficam desconfiadas diante dos enamorados. Aproximam-se deles, dizem coisas amáveis, mas guardam certa distância, não invadem o casulo imantado que envolve os amantes e que pode explodir como um terreno minado. Muito cuidado ao pisar nesse terreno. Com sua disciplina indisciplinada, os amantes são seres diferentes e o ser diferente é excluído porque vira desafio, ameaça. Se o amor na sua doação absoluta os faz mais frágeis, ao mesmo tempo os protege como uma armadura. Os apaixonados voltaram ao Jardim do paraíso, provaram da Árvore do conhecimento e agora sabem.

Lygia Fagundes Telles

25 de mai. de 2014

Parabéns, Quino!

O cartunista argentino Quino, criador da Mafalda (aqui, em foto de 2009), ao completar 80 anos Foto: AFP

Quino ganha prêmio Príncipe das Astúrias de Comunicação e Humanidades

  • Cartunista argentino ficou conhecido em todo o mundo pela personagem Mafalda, criada há 50 anos


Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/quino-ganha-premio-principe-das-asturias-de-comunicacao-humanidades-12552087#ixzz32jsufnsz 
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12 de mai. de 2014

É doce morrer no mar...

O mar é lindo.
É símbolo de status ter uma casa ou um apartamento em frente ao mar. Acordar todo dia, abrir a janela e olhar a perfeita imensidão.
¨É doce morrer no mar, nas águas verdes do mar¨...
Já fui louca pra morar em frente ao mar. Depois de um tempo, agora, com o corpo pedindo paz, tenho preferido o mato.
Uma casa confortável, rodeada de verde e um cachorro manso, sempre pedindo agrado. Cheiro do mato no vento, uma estrada por perto, uma porteira aberta para o coração.
Doce é deitar na rede e deixar o pensamente ir e voltar solto até anoitecer.  Doce é a intimidade com a natureza, o espírito calmo e sereno. Sentir no corpo o arrepio da noite; olhar estrelas e contá-las ouvindo o silêncio de grilos. E depois a doçura sensual de aconchegar-se em braços amorosos.

Perdão Caymmi, doce é viver no mato...

10 de mai. de 2014

Mamães

Não importa quem seja. Não importa onde viva. O que importa é que ama seus filhotes.





30 de mar. de 2014

Acorda, Alice!

Nos últimos vinte anos tenho ouvido lamentações de mulheres que não acham um namorado, um marido, um companheiro para compreendê-la, amá-la (de preferência falando que a ama de cinco em cinco minutos), ser O provedor, figura paterna, figura filial, figura fraternal, que tudo que ele queira na vida é ser pai dos seus filhos e aceitar, claro, dividir toda a educação do filho com você, e que nunca, nunquinha irá abandoná-la nem por uma gata de vinte anos e que não tem o menor jeito para lidar com crianças. Mulheres reclamando que não têm chances na vida, que não conseguem um emprego que preste. Etc. Etc.

Acorda, Alice! A vida não é filme, você não entendeu. A vida não é um jardim florido, você não é uma princesa encantada e aquele que vem lá, montado em um cavalo branco, deve ser algum ator fazendo um filme medieval pelo seu bairro: Não é um príncipe encantado. Pelo menos não como você imagina e deseja.

Eu li um livro em que uma fada madrinha dizia para princesa:
¨Querida, pra você ter um príncipe é preciso beijar um sapo. O problema é que você não quer beijar sapos. ¨ Foi a frase mais brilhante que já li sobre relacionamentos; sobre a cabeça da mulher. Inclusive a minha cabeça há uns trinta anos atrás.

Vamos combinar uma coisa, Alice? Estude, trabalhe muito, se garanta financeiramente. Os homens não gostam de mulheres dependentes. Consiga um ótimo emprego, faça concursos se for o caso, se mate de estudar e acredite piamente que para o ¨circo¨é extremamente necessário o ¨pão¨. 
Aí fique bonita PRA VOCÊ MESMA, aí faça planos PARA VOCÊ MESMA, invista em você, faça terapia para ser mais feliz, viaje, faça boas amizades, se realize como mulher, faça de um tudo para se conhecer melhor, para crescer, seja feliz por você mesma!  Namore, case, e se for da sua vontade, tenha filhos! Construa a sua família. Se for da SUA vontade também.
Não coloque todas as laranjas na mesma cesta. Não coloque só nas mãos de um homem o poder absoluto de lhe fazer feliz.  Não vai dar certo, Alice.

Ou não faça nada disso. Vá atrás de um sonho difícil e complicado.  Saia flutuando nas nuvens esperando o marido-príncipe. Compre um lugar no mundo da lua e fique por lá.

Mas depois não venha reclamar que o príncipe tem mau hálito, que o cavalo dele é ¨cor de burro quando foge¨, que ele não é romântico e nunca lhe disse eu te amo. Que não tem ambição para ganhar dinheiro, que se contenta com o pouco que a vida dá, que ele nem olha direito para os filhos. Você perguntou algum dia se ele realmente queria ter filhos?
Depois não fique dizendo que ele deixou a responsabilidade do  casamento para você resolver sozinha, ou que é um conquistador inveterado, um ¨galinha¨. Que você não sabia de nada disso.
Sabia sim, Alice. Você viu e achou que com o tempo, com seu jeitinho meigo, iria mudá-lo.
Acorda, Alice! Ninguém muda ninguém.

E agora fica choramingando para as amigas que ele é outro homem. Que te trocou por outra, mais nova ou mais velha, não importa. Outra. Provavelmente mais esperta que você. Outra que não está nem aí para príncipe nenhum. Que é feminina e nada racional.  

Ah... Seu filho não lhe dá explicações? Está namorando uma piriguete e já não passa os fins de semana com você nem te telefona pra dizer que vai se atrasar? E lamenta todos os anos dedicados a ele, que em troca só te dá ingratidão?
Mas ele não precisa mais tanto assim de você. Filhos são para o mundo, Alice. E a piriguete pode proporcionar prazeres a ele que mesmo a melhor mãe do mundo, que é você, não pode.

Está desempregada ou insatisfeita com seu emprego, fica pulando de Setor em Setor mais que pipoca na panela? Pois é, Alice, achou que aquele príncipe provedor resolveria isso também.

Alice, você quer ficar dormindo, imersa em sonhos, buscando sempre os mesmos problemas, achando que a culpa é do mundo, dos homens, dos filhos, do governo, das amigas que não te ouvem mais e se ouvem, concordam com tudo pra não te magoar; quer chorar sobre a cerveja derramada ou quer tomar um rumo na vida?

Acorda, Alice! A culpa é sua!  

8 de mar. de 2014

Obrigada pela visita!

Brasil
56
Estados Unidos
34
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12
Alemanha
5
Costa do Marfim
1
Malásia
1
Portugal
1

beijos
Vanessa 


¨Estou tão sedenta do maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa participar em transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir.¨

Anaïs Nin

7 de mar. de 2014

O último pedaço

Não sei se vocês também têm essa percepção ou se é coisa de gente meio doida como eu. Eu sei exatamente o momento que acaba qualquer coisa que eu esteja saboreando.

Quando estou comendo um chocolate, um biscoito, um saco de amendoins, pipoca, balas, etc, eu sei exatamente quando acaba.
Aí vocês vão pensar que sou doida mesmo porque todo mundo sabe quando acaba o que está comendo, é só olhar para o prato.  E eu respondo: Nem sempre.  
Digamos, por exemplo, que você está assistindo televisão no escuro, comendo uma barra de chocolate sem o papel:  eu sei, ou melhor, minha boca sabe quando chego ao último pedaço, mesmo sem vê-lo. Podem me vendar os olhos que minha boca sabe.   Minha boca deve ter algum sensor de últimos pedaços ligado ao cérebro.  
O último pedaço tem um sabor especial; talvez até todas as últimas coisas que fazemos tenham este mesmo sabor diferenciado e nós não nos damos conta:
O último beijo, o último gole de refrigerante, o último degrau, o último papel de um bloco de notas, a última briga ou a última transa com um namorado...  Não, a última transa, quando a gente ainda sente atração e sabe que será a última, tem sim, claramente um sabor diferenciado.
(Opa, eu estava falando de chocolate, de doces, não vamos entrar no campo sexual senão posso me confundir).
É um sensor, sem dúvida, que deve dar um choquinho no cérebro.
Resolvi contar isso aqui porque essa semana mesmo estava deitada assistindo um filme e comendo chocolate. Comendo pedacinho por pedacinho. De repente cadê o chocolate? Acabou. Acabou? Minha boca me dizia que não havia acabado e fui tateando o lençol em busca do último pedaço e não achei.
Olhei, tateei e nada. Pensei comigo mesma sem muita certeza: Que pena, acabou e eu nem saboreei o último.   
De um jeito desconfortável me conformei. No dia seguinte, quando levantei da cama, lá estava o último pedacinho no chão.  
Olhei e pensei: Eu sabia que não tinha acabado!