* Do tempo realizado e do tempo sonhado *

4 de mar. de 2014

¨Soco¨



Ganhei um ¨Soco¨e fui pra casa. Como levar esse Soco e ficar quieta?
Abri-o com a devida atenção pós-trauma, esperando algo visceral e dramático e o que leio é puro encantamento cotidiano. Uma cidade que se apresenta surreal. Vitral em preto e branco. Fiquei mais que quieta; concentrada.
Que livro é esse que a Giovana e o Edemar me envolveram? Ruas trocadas, gatos que falam e prevêem o futuro, camisas pretas e brancas, solidões, fotos dissolvidas, Mirassol estarrecida ...
Eu, rendida para um próximo Soco: Sois vós, Giovana e Edemar, que vieram me salvar?
¨Quem recebe um Soco, já sabe do que é feita a vida¨.


Amei o livro de vocês! Livro bom é assim: A gente almoça com ele, vai ao banheiro com ele, dorme abraçada com ele.  

2 de mar. de 2014

Amigas


Mulheres são competitivas
Mulheres são invejosas
Mulheres são falsas
Mulheres são traiçoeiras

Estes são os comentários que mais ouço e leio a respeito da
amizade entre mulheres.
Fico assustada porque a colheita vem do que semeamos. 

Tenho queridas amigas: 
Que me ouvem 
Que me apoiam 
Que são sinceras, nos elogios e nas críticas
Que fazem a vida ficar mais leve.
Giovana, Kátia Rejane, Cacau, Vivi
quando nos encontramos é sempre para acrescentar
pelo simples prazer das nossas companhias
pelas conversas interessantes
pelas gargalhadas divertidas
e pelas confidências sussurradas.

E muito bom estar com vocês!

27 de jan. de 2014

¨O que mais irrita os jovens é quando lhes aconselham que evitem as más companhias... Como se eles não pudessem perder-se por conta própria¨

Mario Quintana

A armadilha do PET


Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de permacultura, e com orgulho ela escreveu: "Olha estou reciclando garrafas de PET, utilizando no viveiro para as minhas plantinhas." A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo.

Por anos, incontáveis de workshop de reciclagem ensinaram aos brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas, a maravilha de “reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam então a servirem para várias coisas. Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas porque salvam o Planeta, diz a propaganda.
Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foram repetidas milhares vezes. A realidade é essa: O uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um “telhado verde”, não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria prima, o petróleo, e o gasto de energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira um outro produto, um processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”.
Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original e o seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere utilizar matéria prima para seus produtos e inventou a propaganda da PET-Recicling.
Novos mercados para o lixo de PET foram criados que de fato estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da matéria prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas garrafas de PET à base da matéria prima. E isto é um ato contra a sustentabilidade, contra o meu ambiente e contra a nossa própria saúde.
Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET nem é fácil ou limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode criar câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) .
classifica o trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.”
A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é um outro grande vilão na produção de garrafas de plástico e de outras embalagens. Esta substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há anos que o Bisfenol-A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos.
Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal como um viveiro ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias, também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, pela mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas.
O mundo não precisa de garrafas, camisas ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria prima para fazer vidro.


Fonte: EcoDebate.
Norbert Suchanek 

25 de dez. de 2013

Princesas


Nas lojinhas da Disney são vendidos os personagens dos desenhos animados para serem colocados na antena do carro.  São vários:  Mickey, Minie, Nemo, stitch, a coroa das princesas, etc...
Comprei três quando estive lá. O stitch, que infelizmente ficou  muito encardido com o tempo e ao lavá-lo acabou muito feinho;a coroa da princesa, toda rosa com pedras rosas e o Mickey, que ainda está guardado.
Atualmente estou usando a coroa rosa, que acho linda. E tenho percebido com carinho certas diferenças. Quando usei o Stitch eram os meninos e os adultos que gostavam. 
Já a coroa das princesas faz a alegria das meninas!  Elas sorriem empolgadas apontando pelo vidro dos carros, param nos estacionamentos dos Shoppings, olhando encantadas.

Que fascínio é esse que as princesas encantadas exercem sobre nós mulheres desde pequenas?  Coroas de pedras preciosas, vestidos esvoaçantes e, claro, os príncipes encantados; que com o tempo descobrimos que não existem. E mesmo depois que descobrimos que eles não existem, talvez por isso mesmo, nosso fascínio perdure

20 de dez. de 2013

A verdade é que ando sentindo tudo a minha volta de uma forma mais feliz e sensível.  Ando reparando melhor as pessoas, olhando-as com mais compreensão. 
Reparando melhor a natureza, plantinhas e florzinhas. Serio. 
Outro dia, passeando com a Minie, cismei de abraçar uma das árvores, a mais linda, aqui perto de casa e a abracei com tanto carinho e senti uma energia tão forte e acolhedora vindo dela que minha vontade era de ficar ali pra sempre.  Pena ter que soltá-la diante do espanto dos transeuntes e dos carros que passavam.
Ando ajudando as pessoas, me sinto mais paciente em situações que normalmente teria me estressado.  
Ando me estranhando...
De uns tempos pra cá tenho me sentido envolvida em uma luz de fraternidade e compreensão que tem me extasiado.  É uma sensação profunda e ao mesmo tempo natural, como se um doce perfume sempre exalasse das paredes da minha casa, da minha rua, ao meu redor, da minha própria pele e que só agora eu estivesse preparada para senti-lo. 

Vanessa

8 de dez. de 2013

Adotar um animal é maravilhoso, porém...

Creio que a maioria que lê este espaço sabe que perdi meu cachorrinho, o Yuri, em janeiro. Ele tinha quase dezesseis anos e morreu em conseqüência de um AVC.
Foi um sofrimento terrível e só quem já perdeu um companheirinho sabe a dor que é.  O tempo tem me curado aos poucos transformando minha dor em  doce lembrança.
O tempo foi tão meu amigo que dia 15 de abril deste ano, três meses após minha perda, colocou em meu caminho uma anjinha que batizei de Minie. Minie foi achada por uma amiga e quando vi sua foto tive a certeza que queria adotá-la.
Minie estava nas ruas, provavelmente sofrendo maus tratos, magrelinha, triste e arredia.  Mal se podia tocar nela que ou chorava ou mostrava uma fileira de dentes desparelhados. Segundo o veterinário aparentava entre entre oito e dez aninhos. Uma senhorinha.
Não a vi quando foi achada mas soube que tinha um cheiro ruim e precisou de três banhos seguidos para ficar limpinha.  Pesava apenas 2 quilos; é uma mestiça de pequinês com ¨alguma coisa¨.   No pescocinho, uma coleira muito grossa e pesada que já estava podre!  Esta foi a primeira foto que vi  da minha magrelinha, já de bainho tomado e vacinada:


 Porque o título ¨Adotar é maravilhoso, porém...¨

Quando adotamos um animalzinho a nossa tendência é ter pena dele por tudo que já passou. Subestimamos a capacidade dos animais de recuperação física e emocional, muitas vezes projetando nossas próprias tristezas pela perda de um outro animal que fazia parte da família.  Confundimos nossos sentimentos achando que ao recebermos um novo companheiro teremos alguém que virá para nos consolar pela nossa perda.
GRANDE ENGANO!
E foi caindo neste engano que comecei a tratar a Minie como tratava o Yuri. Ambos com personalidades totalmente distintas:
Yuri foi pensado e planejado por quase quatro anos, nos termos do cão que eu desejava para o meu estilo de vida na época. Veio com três meses, foi paparicado demais,  ¨um filho único mimadinho¨. 
Era brinacalhão, muito afetuoso, sempre ao meu lado porém latia muito quando queria algo e não sossegava enquanto eu não o atendesse. 
Enfim, era inseguro, sem limites e sofria muito emocionalmente por isso. Mas eu o adorava do jeitinho que ele era.  Comigo era só dengos e carinho. Nos entendíamos com um olhar e foi um companheirão por todos os anos em que esteve ao meu lado. E são doces as lembranças.

Minie chegou e comecei a paparicá-la, a ter peninha dela, agrados toda hora, caminha e paninhos cor de rosa, coleiras peitorais cor de rosa, queria lhe dar a vida cor de rosa de amor e mimos que supus que ela sentisse muita falta.  Projetei o Yuri na Minie e vocês devem estar imaginando o desastre.  
Adotar exige dedicação, amor, muita paciência e respeito. 
Minie começou se recusando a usar a coleira peitoral ( mais segura e confortável ) .  Custei a entender sua expressão corporal, não sabia se era medo da coleira, se machucava ou o que!
Troquei por uma coleira de pescoço e ela aceitou bem.
Nos primeiros passeios Minie se escondia debaixo dos carros estacionados cada vez que alguém caminhava em nossa direção. Levou dias para que a acalmasse, para que ela percebesse minha presença nos passeios.  Minie me rejeitou até bem pouco tempo atrás. Não confiava,  não aceitava quase nenhum carinho, só cafuné na cabeça. Me mordia quando eu tocava no seu corpo e na barriga. 
Fiquei preocupada e resolvi que teria que ir de novo ao veterinário porque achei que estava prenhe. Fizeram ecografia na barriguinha e para sorte nossa, sem bebês.  Depois de uns dias, castração. E estando os dentes em péssimo estado, um tempo depois foi feita a retirada de tártaro e radiografias para saber porque não se podia tocar na suas costas, perto do rabo.
Tudo bem.  Não acusou problema físico. Comecei a perceber que seria medo talvez por mordidas de outros cães ou maus tratos por humanos.  Cheguei à conclusão que não tinha nada a ver com outros cães porque Minie adora fazer amigos caninos, felinos e não se intimida com tamanho; pelo contrário, é uma simpatia só.  E é esperta quando precisa impor limites aos mais afoitos.

Ainda não sei entender direito seu olhar e sua expressão corporal. Sempre muito séria e parecendo distante na maioria das vezes. Ela volta e meia faz questão de me manter à distância.  Eu sei  que isso é normal, principalmente porque estamos juntas a pouco tempo  e um bichinho adotado já adulto, requer um tempo de adaptação; mas saber é uma coisa e vivenciar  é outra.   

Com o tempo, tivemos que nos adaptar uma à outra. Cada uma foi descobrindo e respeitando o espaços delimitados, as nossas rotinas. Ela é inteligente  e aprende muito rápido. A cada dia se mostra mais carinhosa e começamos a nos entender.  Engordou e está com cinco kgs agora e um pelo brilhante e sedoso!
Minie não é uma bonequinha a ser paparicada. É uma senhorinha que já passou por poucas e boas e sabe bem o que quer e o que é bom pra ela.  E às vezes tenho minhas dúvidas se ela sofreu maus tratos ou se é da sua personalidade mesmo ela ser assim ranzinza e me morder de leve quando não gosta de algo. 
Estamos tranqüilas e cada vez mais felizes. Ela está cada dia mais receptiva à tudo e a todos. Fica na porta sentadinha esperando ser apresentada a quem me visita e receber um carinho; depois vai pro seu travesseiro e fica na dela, observando.  É tímida e reservada e respeito sua personalidade. 
Já faz festa quando chego em casa, do jeitinho dela.
A cada dia mais brincadeiras e bagunças ( e menos mordidas! ). 
Passeamos de duas a três vezes por dia, algumas vezes por quase uma hora. Ela está saudável, é forte e resistente e ama passear. Tenho até dormido melhor à noite com tanta rua!

Poderia escrever por horas sobre meu aprendizado ( que não é fácil )  com este convívio e como ela me faz bem.  Estávamos predestinadas e não sei o que me fez escolhê-la assim, do nada, quando vi sua foto. Só sei que está valendo muito a pena!

Minha Miniekita atualmente : ( clique encima para ampliar ) 



Beijos, Minie

7 de dez. de 2013

¨Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar¨.

Nelson Mandela