* Do tempo realizado e do tempo sonhado *

8 de mar. de 2014


¨Estou tão sedenta do maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa participar em transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir.¨

Anaïs Nin

7 de mar. de 2014

O último pedaço

Não sei se vocês também têm essa percepção ou se é coisa de gente meio doida como eu. Eu sei exatamente o momento que acaba qualquer coisa que eu esteja saboreando.

Quando estou comendo um chocolate, um biscoito, um saco de amendoins, pipoca, balas, etc, eu sei exatamente quando acaba.
Aí vocês vão pensar que sou doida mesmo porque todo mundo sabe quando acaba o que está comendo, é só olhar para o prato.  E eu respondo: Nem sempre.  
Digamos, por exemplo, que você está assistindo televisão no escuro, comendo uma barra de chocolate sem o papel:  eu sei, ou melhor, minha boca sabe quando chego ao último pedaço, mesmo sem vê-lo. Podem me vendar os olhos que minha boca sabe.   Minha boca deve ter algum sensor de últimos pedaços ligado ao cérebro.  
O último pedaço tem um sabor especial; talvez até todas as últimas coisas que fazemos tenham este mesmo sabor diferenciado e nós não nos damos conta:
O último beijo, o último gole de refrigerante, o último degrau, o último papel de um bloco de notas, a última briga ou a última transa com um namorado...  Não, a última transa, quando a gente ainda sente atração e sabe que será a última, tem sim, claramente um sabor diferenciado.
(Opa, eu estava falando de chocolate, de doces, não vamos entrar no campo sexual senão posso me confundir).
É um sensor, sem dúvida, que deve dar um choquinho no cérebro.
Resolvi contar isso aqui porque essa semana mesmo estava deitada assistindo um filme e comendo chocolate. Comendo pedacinho por pedacinho. De repente cadê o chocolate? Acabou. Acabou? Minha boca me dizia que não havia acabado e fui tateando o lençol em busca do último pedaço e não achei.
Olhei, tateei e nada. Pensei comigo mesma sem muita certeza: Que pena, acabou e eu nem saboreei o último.   
De um jeito desconfortável me conformei. No dia seguinte, quando levantei da cama, lá estava o último pedacinho no chão.  
Olhei e pensei: Eu sabia que não tinha acabado!

4 de mar. de 2014

¨Soco¨



Ganhei um ¨Soco¨e fui pra casa. Como levar esse Soco e ficar quieta?
Abri-o com a devida atenção pós-trauma, esperando algo visceral e dramático e o que leio é puro encantamento cotidiano. Uma cidade que se apresenta surreal. Vitral em preto e branco. Fiquei mais que quieta; concentrada.
Que livro é esse que a Giovana e o Edemar me envolveram? Ruas trocadas, gatos que falam e prevêem o futuro, camisas pretas e brancas, solidões, fotos dissolvidas, Mirassol estarrecida ...
Eu, rendida para um próximo Soco: Sois vós, Giovana e Edemar, que vieram me salvar?
¨Quem recebe um Soco, já sabe do que é feita a vida¨.


Amei o livro de vocês! Livro bom é assim: A gente almoça com ele, vai ao banheiro com ele, dorme abraçada com ele.  

2 de mar. de 2014

Amigas


Mulheres são competitivas
Mulheres são invejosas
Mulheres são falsas
Mulheres são traiçoeiras

Estes são os comentários que mais ouço e leio a respeito da
amizade entre mulheres.
Fico assustada porque a colheita vem do que semeamos. 

Tenho queridas amigas: 
Que me ouvem 
Que me apoiam 
Que são sinceras, nos elogios e nas críticas
Que fazem a vida ficar mais leve.
Giovana, Kátia Rejane, Cacau, Vivi
quando nos encontramos é sempre para acrescentar
pelo simples prazer das nossas companhias
pelas conversas interessantes
pelas gargalhadas divertidas
e pelas confidências sussurradas.

E muito bom estar com vocês!

27 de jan. de 2014

¨O que mais irrita os jovens é quando lhes aconselham que evitem as más companhias... Como se eles não pudessem perder-se por conta própria¨

Mario Quintana

A armadilha do PET


Foi na última semana, quando uma amiga me enviou uma foto de seu quintal de permacultura, e com orgulho ela escreveu: "Olha estou reciclando garrafas de PET, utilizando no viveiro para as minhas plantinhas." A minha amiga se acha ecologicamente correta e consciente, mas sem querer ela entrou na armadilha da grande indústria do plástico e do petróleo.

Por anos, incontáveis de workshop de reciclagem ensinaram aos brasileiros, criancinhas, adultos, idosos, donas de casa, comunidades carentes e povos indígenas, a maravilha de “reciclar” garrafas PET. As garrafas de PET usadas passam então a servirem para várias coisas. Vasos para plantas, brinquedos, bijuterias, árvores de Natal, móveis ou qualquer coisa inimaginável. Paralelo a isso, foi criado um mercado de roupas com malha PET, identificada como ecologicamente correta. Camisas caríssimas porque salvam o Planeta, diz a propaganda.
Uma mentira que só virou verdade nesta sociedade do século 21, porque foram repetidas milhares vezes. A realidade é essa: O uso de uma garrafa PET velha no seu quintal ou em forma de roupa, ou como um “telhado verde”, não é reciclagem e nem preserva o meio ambiente. Reciclagem é quando uma garrafa PET velha vira uma garrafa PET nova, como é feito com as garrafas de vidro. Só assim o uso da matéria prima, o petróleo, e o gasto de energia estarão reduzidos. Mas o que acontece com a PET, na realidade, é o contrário disso. A garrafa PET na prática mundial não vira uma nova garrafa PET. A garrafa velha vira um outro produto, um processo que internacionalmente recebeu o nome “Downcycling”.
Ao contrário do vidro, a PET não pode ser reutilizada na linha de produção original e o seu processo de reciclagem de verdade é ainda caro e complicado. Por isso a indústria de embalagens prefere utilizar matéria prima para seus produtos e inventou a propaganda da PET-Recicling.
Novos mercados para o lixo de PET foram criados que de fato estão estimulando a produção de novas garrafas PET à base da matéria prima petróleo. Por exemplo, o novo mercado de Eco-Camisas, Eco-Bolsas ou Eco-mochilas de PET, precisa de produção de novas garrafas de PET à base da matéria prima. E isto é um ato contra a sustentabilidade, contra o meu ambiente e contra a nossa própria saúde.
Pior: ao contrário das fadas da propaganda da indústria química, a produção de PET nem é fácil ou limpa. Além do uso de petróleo, também várias substâncias tóxicas são necessárias ou são criadas durante o processo. Por exemplo, a indústria está usando trióxido de antimônio no processo de fazer PET. Mas antimônio é um metal pesado venenoso e pode criar câncer. “A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) .
classifica o trióxido de antimônio no Grupo 2B – possivelmente carcinogênico para o ser humano.”
A substância orgânica Bisfenol-A (BPA) é um outro grande vilão na produção de garrafas de plástico e de outras embalagens. Esta substância de fórmula (CH3)2C(C6H4OH)2 é um estrogênio sintético e pode causar câncer e infertilidade. Já foi provado há anos que o Bisfenol-A pode contaminar os líquidos dentro das garrafas de PET ou de outros plásticos.
Quem compra garrafas de PET e as usam no seu quintal como um viveiro ou quem cria um sofá de PET ou bijuterias, também está responsável pela continuidade do uso do petróleo, pela mineração de antimônio e seus efeitos danificadores e pela contaminação do meio ambiente com substâncias tóxicas e cancerígenas.
O mundo não precisa de garrafas, camisas ou viveiros de PET. Vidro é o melhor material para guardar qualquer bebida, inclusive a água. As garrafas de vidro podem ser reutilizadas centenas de vezes. E o material de vidro pode ser reciclado sem fim. O próprio vidro é a melhor matéria prima para fazer vidro.


Fonte: EcoDebate.
Norbert Suchanek 

25 de dez. de 2013

Princesas


Nas lojinhas da Disney são vendidos os personagens dos desenhos animados para serem colocados na antena do carro.  São vários:  Mickey, Minie, Nemo, stitch, a coroa das princesas, etc...
Comprei três quando estive lá. O stitch, que infelizmente ficou  muito encardido com o tempo e ao lavá-lo acabou muito feinho;a coroa da princesa, toda rosa com pedras rosas e o Mickey, que ainda está guardado.
Atualmente estou usando a coroa rosa, que acho linda. E tenho percebido com carinho certas diferenças. Quando usei o Stitch eram os meninos e os adultos que gostavam. 
Já a coroa das princesas faz a alegria das meninas!  Elas sorriem empolgadas apontando pelo vidro dos carros, param nos estacionamentos dos Shoppings, olhando encantadas.

Que fascínio é esse que as princesas encantadas exercem sobre nós mulheres desde pequenas?  Coroas de pedras preciosas, vestidos esvoaçantes e, claro, os príncipes encantados; que com o tempo descobrimos que não existem. E mesmo depois que descobrimos que eles não existem, talvez por isso mesmo, nosso fascínio perdure

20 de dez. de 2013

A verdade é que ando sentindo tudo a minha volta de uma forma mais feliz e sensível.  Ando reparando melhor as pessoas, olhando-as com mais compreensão. 
Reparando melhor a natureza, plantinhas e florzinhas. Serio. 
Outro dia, passeando com a Minie, cismei de abraçar uma das árvores, a mais linda, aqui perto de casa e a abracei com tanto carinho e senti uma energia tão forte e acolhedora vindo dela que minha vontade era de ficar ali pra sempre.  Pena ter que soltá-la diante do espanto dos transeuntes e dos carros que passavam.
Ando ajudando as pessoas, me sinto mais paciente em situações que normalmente teria me estressado.  
Ando me estranhando...
De uns tempos pra cá tenho me sentido envolvida em uma luz de fraternidade e compreensão que tem me extasiado.  É uma sensação profunda e ao mesmo tempo natural, como se um doce perfume sempre exalasse das paredes da minha casa, da minha rua, ao meu redor, da minha própria pele e que só agora eu estivesse preparada para senti-lo. 

Vanessa