* Do tempo realizado e do tempo sonhado *
26 de set. de 2013
25 de set. de 2013
Resposta para Priscila
Outro dia, a filha da minha visinha, Priscila, estava
triste e comentou comigo que não tinha
amigas. Que suas amizades são interesseiras, e como ela costuma ser uma pessoa
alto astral, só a procuram para conversas amenas e divertidas, conversas para
dar risada; nunca em momentos difíceis de tristeza quando ela mais precisa tê-los por perto. Que se sente sozinha e não sabe o que
fazer.
Priscila tem vinte e um anos, linda, querida e
divertida. E me autorizou a lhe responder aqui.
Detesta Orkut e facebook porque as pessoas têm ¨quinhentos
amigos¨ e não tem nenhum. Tiram muitas fotos e fingem que são populares mas que
no fundo são tão ou mais sozinhas do que ela.
Querida Priscila:
É assim mesmo. Infelizmente, raríssimas pessoas
estão interessadas em amizades verdadeiras, daquelas para toda hora, daquelas de antigamente.
E acredito sinceramente que não seja por mal. Os tempos são outros; existem tantas substituições
para uma boa amizade! filmes em casa para distrair os olhos, jogos para distrair
a mente e redes sociais para distrair o coração. E os corações estão solitários, Priscila. Tão
ou mais solitários que o seu. Porque o nosso tempo é agora e o agora
do mundo é isso aí. É o que temos pra
hoje, salvo raras e doces exceções: as ¨agulhas no palheiro¨.
Nós, ¨mais velhos¨, também sentimos essa impossibilidade,
também batemos de frente nesse ¨muro¨ onde se escondem as belas relações. Temos todos nossas dores e vamos empurrando as necessidades com a
barriga, às vezes até sem admiti-las.
Não temos mais condições para ficar remexendo em palheiros em busca
das agulhas...
E aí, nós seguimos iludidos (?) acreditando que temos mil amigos e quando precisamos
apenas de um, muitas vezes ele nos falta porque está perdido, tentando também
se encontrar e nos encontrar.
Pois é, querida Priscila, no fim das contas me solidarizo e te admiro. Não te interessa o
corpo das modelos, dinheiro fácil, futilidades ¨fashions¨, relacionamentos por interesse, ...
Só quer amigos verdadeiros, essa coisa ultrapassada.
20 de set. de 2013
Os amores de Guimarães Rosa
... Quem ía ao apartamento do mineiro em Copacabana logo notava que ele se misturava aos bichos. Íntimo, comungante, ao lado de seus gatos aveludados e de seu amado pequinês Sung. Se alegrava ao contar sobre eles aos amigos e familiares.
Não abria mão das caminhadas vespertinas ao lado do mimado pequinês Sung.
Passeio, segundo o escritor, ¨que era o de não querer ir longe nem perto, mas buscar o certo no incerto do caminho¨.
Passeio, segundo o escritor, ¨que era o de não querer ir longe nem perto, mas buscar o certo no incerto do caminho¨.
... Rosa ficou arrasado quando o companheiro Sung morreu. Enterrou o cão em um cemitério de animais , com a lápide carinhosa: ¨Sung. Sunguinho de Deus¨. Sempre se emocionava ao falar dele e ía visitar seu túmulo todos os meses.
![]() |
| Guimarães e Sung , sempre ao seu lado. |
( Trecho retirado do Almanaque Brasil )
8 de set. de 2013
A Íbis do Pão de Açúcar
Pouca gente sabe ou ja percebeu , incluindo muitos cariocas, dependendo do horário do dia, o sol ressalta a figura do pássaro Ibis formada no Pão de açucar:
7 de set. de 2013
O POETA
Meu primeiro emprego foi nos Correios. Eu trabalhava na Agência Copacabana - no posto 6.
Carlos Drummond de Andrade, que morava quase ao lado, mantinha lá uma caixa postal. Ele ía, duas a três vezes por semana pegar a correspondência. Era um alvoroço só a sua chegada. Nós funcionários, por respeito e timidez, nunca o importunávamos e morríamos de inveja da Dª Olga, uma querida colega, mineira como ele, pelas demoradas conversas que mantinham.
Eu, fã que era e sou, tinha verdadeira loucura para pedir um autógrafo. Comprei um livro de poemas reunidos e perguntei à Dª Olga se ela não conseguiria um autógrafo pra mim.
Fiquei feliz e guardei o livro na gaveta da minha mesa para quando ele fosse pegar a correspondência.
Qual não foi minha surpresa um dia, uma colega me disse que Carlos gostaria de falar comigo.
Peguei o livro e fui , quase correndo, absolutamente emocionada.
Carlos me recebeu com um sorriso gentil, fez duas ou três perguntas que acalmaram minha ansiedade e lhe entreguei o livro, cuja dedicatória gentil e afetuosa me sensibiliza até hoje.
Carlos Drummond de Andrade, que morava quase ao lado, mantinha lá uma caixa postal. Ele ía, duas a três vezes por semana pegar a correspondência. Era um alvoroço só a sua chegada. Nós funcionários, por respeito e timidez, nunca o importunávamos e morríamos de inveja da Dª Olga, uma querida colega, mineira como ele, pelas demoradas conversas que mantinham.
Eu, fã que era e sou, tinha verdadeira loucura para pedir um autógrafo. Comprei um livro de poemas reunidos e perguntei à Dª Olga se ela não conseguiria um autógrafo pra mim.
Fiquei feliz e guardei o livro na gaveta da minha mesa para quando ele fosse pegar a correspondência.
Qual não foi minha surpresa um dia, uma colega me disse que Carlos gostaria de falar comigo.
Peguei o livro e fui , quase correndo, absolutamente emocionada.
Carlos me recebeu com um sorriso gentil, fez duas ou três perguntas que acalmaram minha ansiedade e lhe entreguei o livro, cuja dedicatória gentil e afetuosa me sensibiliza até hoje.
6 de set. de 2013
Eu aqui para vós aí
Pic nic é normal, ¨farofeira da alegria¨, compartilhando novidades mas ciente da vida real.
Poemas e brincadeiras, soprados aos vossos corações.
Animais livres de notícias de maus tratos, alegres e perfumados. Cães e gatos fazendo pipi
juntos, em árvores virtuais.
Aqui, agora, feliz. Eu daqui não saio, daqui ninguém ¨me tira¨ .
(
Este pequeno texto é um carinho aos meus amiguinhos do Facebook )
30 de ago. de 2013
O sobrenatural
Na minha adolescência, de vez em quando eu passava o domingo na casa de
meus primos.
À noite, gostávamos de ficar na varanda, conversando ou jogando
cartas. Eles moravam em um bairro residencial,
em uma rua tranqüila.
Foi um verão no Rio em que quase todo dia tinham os apagões.
Foi um verão no Rio em que quase todo dia tinham os apagões.
Certa noite, estávamos os três sentados na varanda, jogando conversa fora quando surgiu uma conversa sobre fatos estranhos que acontecem, coincidências da vida, e naquele momento houve um apagão e a rua ficou às escuras.
Aí, naquele clima, tive uma idéia:
Gente, vou contar até dez e quando chegar no dez a luz da rua acenderá. Descrédito, risadas ( Pense nas probabilidades ).
Fomos até o portão e eu comecei a contagem:
1...2...3...6...8...9...e...Apontei o dedo para o céu e... 10!
Nisso, a rua inteira acendeu e ficamos os
três mudos, de boca aberta e olhos arregalados para o novo céu.
Corri pra dentro da casa para contar o ¨milagre¨; nem pais nem
tios acreditaram.
Não liguei porque nós três testemunhamos, naquela noite, o
sobrenatural.
26 de ago. de 2013
Os sentimentos dos patos
Moro no segundo andar do meu prédio. Minhas janelas dão para um terreno comprido e
com varias árvores frutíferas, incluindo um frondoso abacateiro que quase
esbarra na janela da minha cozinha. Era quase uma chácara, com direito a galinhas comuns,
galinhas d’Angola, um galo lindo que batizei de Sergei ( em homenagem ao cantor
) porque ambos tinham a boca, o ¨bico¨
parecido.
Sergei era um fofo sem noção: cantava a qualquer hora do
dia , da noite ou da madrugada, criando, inclusive um certo desespero em uma
moradora igualmente sem noção.
Era uma delícia ver o espanto das pessoas que me visitavam
ao ouvir os sons rurais que entravam em meu apartamento vindo de lá.
Mas porque estou falando disso?
Porque como nada é perfeito, eles tinham também um casal
de cachorros Fox paulistinhas . A fêmea era um doce mas o macho era bem raivosinho
e volta e meia fugia da área em que moravam e era um Deus nos acuda para patos
e galinhas.
Foi aí que um domingo à tarde, vi o pai dos moradores,
sentado em um tronco, incentivando sadicamente o cão a atacar um pato meio
perdido no terreno . Assisti da minha janela o desespero total do patinho
correndo pra lá e pra cá, perseguido pelo cachorro. Comecei a gritar e xingar o velho de todos os
nomes para que parasse com aquilo.
Qual não foi meu espanto quando o pato, descobrindo em mim
uma aliada e cúmplice, veio correndo embaixo da minha janela quase escalando o
muro que nos separava me olhando em total desespero.
O velho acabou entrando em casa levando o cachorro junto.
O pato ficou ainda um tempo quietinho perto do muro, e naquele dia tudo acabou
bem.
Associamos a inteligência, a troca de afeto e sentimentos
de gratidão aos cães, gatos, cavalos, macacos e etc... Na minha ignorância, nunca imaginei que um
pato tivesse sentimentos. Fiquei surpresa com aquele pobre patinho me pedindo
socorro, do entendimento dele de que eu fiz tudo que pude para salvá-lo e que consegui.
Vivi e senti. Desde aquele dia passei a entender e acreditar que todos os animais têm sentimentos; é só uma questão de darmos uma chance a eles.
Assinar:
Postagens (Atom)





.jpg)


